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14 anos de Exxas: três ondas e uma tese que não mudou


Há catorze anos, quando fundamos a Exxas, o mercado discutia inovação sobretudo como sinônimo de tecnologia, evento ou discurso de ocasião. Poucas empresas e poucos governos perguntavam algo mais simples e mais difícil: como sustentar, ao longo do tempo, aquilo que se decide inovar. Essa pergunta acompanhou cada fase da nossa trajetória e, hoje, é a tese que define quem somos.


Aprendemos, projeto após projeto, que não basta ter boas ideias, orçamento ou vontade política. O que separa uma iniciativa que avança de uma que se dissolve na primeira troca de gestão ou na primeira crise de caixa é a governança: o conjunto de decisões, papéis, rotinas, dados e responsabilidades que transforma intenção em execução contínua. Foi observando essa diferença, em contextos muito distintos, que consolidamos a nossa posição atual — a Exxas é uma empresa de governança da inovação.


Essa consolidação não veio de uma ideia única, mas de três movimentos que se somaram ao longo do tempo.


Primeira onda — o alicerce estratégico (2012–2020)


Nascemos com o olhar voltado ao setor privado. Nosso trabalho era ajudar empresas familiares e corporações a se tornarem mais competitivas por meio de planejamento estratégico, governança corporativa e melhoria de processos de gestão. Foi um período de construção de método: aprendemos que estratégia só tem valor quando se converte em responsável, prazo e indicador. Perto do final dessa fase, demos os primeiros passos em inovação corporativa, em parcerias que ampliaram nosso repertório de metodologias.


Segunda onda — o impacto público e territorial (2020–2024)


Em 2020, demos um passo decisivo. A partir da minha própria vivência no setor público, ficaram claras lacunas que a consultoria tradicional costumava ignorar: a falta de continuidade nas políticas de inovação e a dificuldade real de coordenar ecossistemas com múltiplos atores e interesses. Enquanto estive mais distante da operação direta, meus sócios conduziram com competência a consolidação dessa vertical pública. Ali, provamos algo que hoje sustentamos com evidência: governos também podem inovar de forma estruturada, com método, rotina e indicadores, não apenas com projetos isolados. Desenvolvemos metodologias próprias de governança de ecossistemas e conduzimos iniciativas que alcançaram dezenas de municípios em diferentes regiões do país.


Terceira onda — a convergência (a partir de 2024)


A partir de 2024, decidimos cruzar essas duas bagagens em vez de escolher uma delas. Percebemos que o diferencial real não estava em atuar apenas no público ou apenas no privado, mas em construir pontes entre as duas lógicas. Hoje, levamos a agilidade e o pragmatismo do setor privado para o trabalho com governos, e trazemos a robustez de processo e a disciplina de governança pública para indústrias e organizações privadas. É essa dupla vivência, institucional e empresarial, que sustenta o método que aplicamos hoje.


O que essas três ondas confirmam


Olhando para os catorze anos, a conclusão é sempre a mesma: a maioria das organizações que atendemos já sabia que precisava inovar. O problema raramente era falta de ideias, de tecnologia ou de vontade. O gargalo, quase sempre, era a ausência de um arranjo capaz de sustentar a decisão de inovar, de conectar estrutura e pessoas, transformar intenção em ação e garantir continuidade além do ciclo de um mandato, de uma liderança ou de um orçamento.


Essa é a razão pela qual, para os próximos anos, nossa tese permanece a mesma e se torna mais necessária: inovação precisa ser sistêmica, e governança é o elo que conecta sistema e ecossistema, decisão e execução. Não se trata de mais um instrumento isolado, lei, conselho, centro de inovação ou plataforma, mas de um arranjo que os conecta e os faz funcionar ao longo do tempo.


Catorze anos depois, o que mais nos orgulha não é o tempo de mercado, mas a consistência do aprendizado: cada ciclo público e cada ciclo privado nos deixou mais preparados para o próximo. Hoje, esse aprendizado se traduz em 70 projetos realizados, mais de 4,5 milhões de pessoas impactadas, 48 organizações transformadas e 21 governanças estruturadas, números que só existem porque sócios, parceiros e clientes decidiram construir governança com a gente, muitas vezes em contextos difíceis, com prazos apertados e interesses divergentes.


Se há uma coisa que catorze anos e três ondas nos ensinaram, é que a Exxas nunca foi sobre escolher um lado, público ou privado, estratégia ou execução, visão ou disciplina. Foi sempre sobre construir a ponte entre eles. Foi assim que saímos de um alicerce estratégico corporativo para uma vertical pública consistente, e é essa mesma lógica que hoje nos permite atuar nos dois mundos ao mesmo tempo, com a mesma tese de fundo: inovação sem governança se dissolve; governança sem inovação estagna. O papel da Exxas é garantir que as duas coisas aconteçam juntas, com direção, continuidade e resultado real, hoje, e nos próximos catorze anos.

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