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O que acontece no dia 29 de agosto?

Por que o Startup Summit prova, na prática, a tese da governança da inovação.


Foto: Startup Summit/Divulgação
Foto: Startup Summit/Divulgação

Entre 26 e 28 de agosto, Florianópolis vira, por três dias, a capital da inovação da América Latina. O Startup Summit, realizado pelo Sebrae Startups em parceria com a ACATE, deve reunir mais de 10 mil participantes presenciais, delegações de cerca de 30 países e centenas de investidores, fundadores, executivos e gestores públicos no CentroSul. Na edição de 2025, segundo a organização, o evento mobilizou mais de 32 mil pessoas somando presencial e online, e as intenções de investimento registradas durante a programação chegaram a R$ 350 milhões.


É muita energia concentrada num só lugar. E essa energia importa: encontros densos, conexões improváveis, negócios que só nascem quando as pessoas certas dividem o mesmo espaço. Como parte deste ecossistema, com sede no ACATE Downtown, a poucos passos de onde tudo acontece, a Exxas acompanha de perto essa efervescência e reconhece o valor de quem a organiza.


Mas há uma pergunta que quase ninguém faz no meio da euforia. E é justamente ela que separa um ecossistema que evolui de um que apenas se agita:


O que acontece no dia 29?


A ressaca previsível


Todo ecossistema conhece o roteiro do dia seguinte. As delegações voltam para casa. Os crachás vão para a gaveta. O LinkedIn se enche de fotos, agradecimentos e a promessa sincera de "vamos marcar um café". E, semanas depois, boa parte daquela energia simplesmente evapora.


Isso não acontece por falta de talento, de ideias ou de boa vontade, o Summit é a prova de que essas três coisas existem em abundância no Brasil. Acontece porque intenção não é o mesmo que execução, e a distância entre uma e outra é maior do que costumamos admitir:

  • Uma intenção de investimento não é um cheque assinado.

  • Um cartão de visita trocado não é uma parceria estruturada.

  • Um insight de palestra não é uma decisão tomada.

  • E três dias de palco não são, por si só, continuidade.


O movimento é real. O resultado é que precisa ser construído e ele quase nunca se constrói sozinho.


A tese que o evento comprova


Na Exxas, partimos de uma convicção simples: inovação precisa ser sistêmica, e a governança é o elo que conecta estrutura e pessoas, intenção e ação, decisão e continuidade. O Startup Summit é, involuntariamente, a melhor demonstração dessa tese.


Porque o valor de um grande evento não se mede apenas pelo que acontece no CentroSul. Mede-se também pelo que sobra quando o CentroSul se esvazia. O evento gera o combustível, a densidade de conexões, capital e conhecimento. Mas combustível parado não desloca nada. Governança é o motor que transforma essa energia em movimento sustentado.


E aqui vale desfazer um mal-entendido comum: governança não é burocracia, nem mais uma reunião no calendário. É o mecanismo mínimo que garante que a energia de agosto ainda esteja produzindo resultado em novembro.


Os três vazamentos do pós-evento

Quando a energia de um evento se dissipa, ela costuma vazar por três pontos. Cada um deles se resolve com um mínimo de estrutura, nada pesado, mas suficiente para não deixar o valor escorrer pelo ralo.


1. Conexão sem dono vira lista de contatos. Você saiu do Summit com trinta conversas promissoras. Sem alguém responsável por transformar cada conexão relevante em um próximo passo com data e critério, elas viram uma lista que ninguém revisita. A pergunta de governança: quem é o dono de cada conexão que vale a pena, e qual é o próximo passo já marcado?


2. Pipeline sem rito vira planilha esquecida. As oportunidades identificadas — leads, projetos, editais, possíveis sócios, precisam de um lugar para serem priorizadas e revisadas. Sem um rito de decisão recorrente, a planilha do "vamos avaliar" cresce até perder o sentido. A pergunta de governança: existe um encontro mensal que decide, de fato, o que entra, o que sai e o que escala?


3. Aprendizado sem registro morre com quem foi ao evento. Os melhores insights de três dias intensos ficam na cabeça de quem esteve lá e se perdem na primeira semana de operação. A pergunta de governança: o que foi aprendido virou registro, decisão ou ativo que a organização consegue reutilizar?


O que fazer na semana seguinte


A boa notícia é que capturar o valor do Summit não exige uma estrutura complexa. Exige proporcionalidade e disciplina. Um ponto de partida, por perfil:


  • Para gestores públicos e ambientes de inovação: nomeie um responsável por consolidar, em até uma semana, as conexões e oportunidades que fazem sentido para a agenda do território e leve-as ao primeiro rito de decisão. Evite que o evento vire apenas uma linha no relatório de atividades.

  • Para lideranças de ecossistema: transforme os contatos e as conversas em, no máximo, duas ou três frentes com dono, escopo e entrega mínima. Rede que sai de um grande evento com quinze prioridades sai, na prática, sem nenhuma.

  • Para empresas: conecte o que foi visto no Summit à sua carteira de iniciativas. Toda oportunidade nova deveria disputar espaço com critério, e não simplesmente se somar a um portfólio já disperso.


O papel da Exxas nessa história


A Exxas não organiza o Startup Summit e faz questão de reconhecer o mérito de quem o constrói, ano após ano, com a qualidade que o coloca entre os maiores do continente. O que a Exxas organiza é o que vem depois: a estrutura que transforma a energia do ecossistema em direção, continuidade e impacto real.


Grandes eventos acendem o potencial. Governança é o que garante que esse potencial não se apague na segunda-feira seguinte. É essa a ponte entre a inspiração de três dias e o resultado que se sustenta ao longo do ano.


Então, quando as luzes do CentroSul se apagarem, vale voltar à pergunta que abre este texto e usá-la como termômetro do próprio ecossistema ou da própria organização: o que, exatamente, vai acontecer no dia 29?


Se a resposta ainda não estiver clara, talvez o próximo passo não seja um novo evento. Seja um pouco mais de governança.

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